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sexta-feira, 2 de março de 2012

Visita: três poemas de Carlos Eduardo Marcos Bonfá

CARNE

Carne:
Império do sal,
Que em gesto e som,
Tem fé na terra
E no céu.
Antes, semente.
Semente
De semente repleta.
Carne:
Substância saturada
De desejo.
É de fogo:
Queima;
Em prazer,
Imita vagas,
Vagando em til.
Carne:
Única presença
No vazio.
Sol que sua,
E soa.
Carne:
Dor, dormência.
Leito da morte,
Que desperta,
Sempre,
Num único levantar.
Carne:
Concentrado mar.


ESCARIFICAÇÃO

Sem pele,
A carne elege
O vermelho
Como estética.
Ave sangüínea,
Que no ímpeto
Do vôo
Se esforça
Com irritação.
(Voar é mesmo
Desejo à flor da pele.
Não, abaixo dela).
O canto
É uma infecção.


NADJA

Nada há
Que impeça
De,
Tentacularmente,
Vagar
Como sonho e esperança.
Porção móvel de esperança
Na espera
De,
Ao acaso (objetivo),
Encontrar
Uma mão de fogo na água
(Pois o fogo e a água
São a mesma coisa,
Mas o fogo e o ouro não).


***


Carlos Eduardo Marcos Bonfá é poeta e meu amigo pelas bandas do Facebook. Gosto muito da sua poesia, embora nestas semanas de volta à escola e tantas outras atividades não esteja com cabeça para fazer algum comentário produtivo a respeito. Não que os demais tenham trazido algo de novo... Mas, cara, impressionante como lidar com outra(s) linguagem(ns) pode influenciar na escrita de e sobre poesia. É provável que os próximos posts sigam este modelo. Acompanhem o trabalho do Carlos em Beleza Intrusa.

2 comentários:

  1. Gosto dos três, mas o segundo em especial. O canto como infeção, abaixo da pele - o coração da ave sanguínea.
    Ímpeto de voo, um céu vascular.

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  2. poesia impregnada de purulência, mas tão bela.... beleza de sutilezas, p. ex.

    Carne:
    Dor, dormência.
    Leito da morte,
    Que desperta,
    Sempre,
    Num único levantar.
    Carne:
    Concentrado mar.

    concentrado mar, carne. belíssimo, parabéns marceli pelo blog e seleção de txtos.

    daniel - (do msn)

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