Carne:
Império do sal,
Que em gesto e som,
Tem fé na terra
E no céu.
Antes, semente.
Semente
De semente repleta.
Carne:
Substância saturada
De desejo.
É de fogo:
Queima;
Em prazer,
Imita vagas,
Vagando em til.
Carne:
Única presença
No vazio.
Sol que sua,
E soa.
Carne:
Dor, dormência.
Leito da morte,
Que desperta,
Sempre,
Num único levantar.
Carne:
Concentrado mar.
ESCARIFICAÇÃO
Sem pele,
A carne elege
O vermelho
Como estética.
Ave sangüínea,
Que no ímpeto
Do vôo
Se esforça
Com irritação.
(Voar é mesmo
Desejo à flor da pele.
Não, abaixo dela).
O canto
É uma infecção.
NADJA
Nada há
Que impeça
De,
Tentacularmente,
Vagar
Como sonho e esperança.
Porção móvel de esperança
Na espera
De,
Ao acaso (objetivo),
Encontrar
Uma mão de fogo na água
(Pois o fogo e a água
São a mesma coisa,
Mas o fogo e o ouro não).
***
Carlos Eduardo Marcos Bonfá é poeta e meu amigo pelas bandas do Facebook. Gosto muito da sua poesia, embora nestas semanas de volta à escola e tantas outras atividades não esteja com cabeça para fazer algum comentário produtivo a respeito. Não que os demais tenham trazido algo de novo... Mas, cara, impressionante como lidar com outra(s) linguagem(ns) pode influenciar na escrita de e sobre poesia. É provável que os próximos posts sigam este modelo. Acompanhem o trabalho do Carlos em Beleza Intrusa.

Gosto dos três, mas o segundo em especial. O canto como infeção, abaixo da pele - o coração da ave sanguínea.
ResponderExcluirÍmpeto de voo, um céu vascular.
poesia impregnada de purulência, mas tão bela.... beleza de sutilezas, p. ex.
ResponderExcluirCarne:
Dor, dormência.
Leito da morte,
Que desperta,
Sempre,
Num único levantar.
Carne:
Concentrado mar.
concentrado mar, carne. belíssimo, parabéns marceli pelo blog e seleção de txtos.
daniel - (do msn)