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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Visita: três poemas de Nydia Bonetti

O VELHO TEMA

salgado mar
haverá tempo ainda?
deliram
naufragados navios
em seus túmulos
de silêncios e corais
sonhando
improváveis resgates
velas e ventos
cais


SEM TÍTULO

dissonante voz miúda
neste tempo agudo de ruído
e ventania
pétala que não se ouve
quando toca
o chão
e quem quer saber de flores
neste tempo obtuso
de pedra


SEM TÍTULO

frágeis como a flor
que despenca no abismo
rompem-se os ovos
no ninho
e o passarinho
que cantava sol
agora canta a eternidade


***


Nydia Bonetti é minha amiga e poeta. Estou para ver poesia mais delicada que a dela. Como quem levanta o tecido de uma pele finíssima, marítima, ela suspende a linguagem sobre a areia do poema. Somos então convidados a ouvir esse descolamento sutil da música, das conchas, do silêncio. As mãos se movem, espectrais, por baixo da rebentação dos versos. Chegar à outra margem é coisa para aqueles que se permitem de(cantar) pela travessia. Assim percebo esta escrita. Acompanhem mais do seu trabalho em Longitudes.

20 comentários:

  1. Novamente, não sou crítica nem nada, não tenho formação nesse sentido. Coloco aqui a impressão que tenho dos poemas selecionados... :)

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  2. [delicado oficio de transportar a palavra,

    do transladar o verso de dentro da pele
    para os dias do mundo]

    como sabe, se pressente em cada palavra da Nydia; em cada palavra...

    Um abraço,

    Lb

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  3. Nydia é o máximo com sua poesia minimalista,


    beijo

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  4. nydia é a amplidão evocada em poucos versos. muita precisão e sensibilidade. às vezes fico bobinha sentindo o que ela consegue fazer e desfazer com a linguagem. um presente poder lê-la aqui!

    abraços!

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  5. Mar, depois de várias tentativas frustradas, desisti de querer mudar o tom da minha poesia. Leveza e superficialidade muitas vezes se confundem e esta era minha grande inquietação. Fico realmente muito feliz, quando observo leituras como a tua, a que Sandrio fez, naquele ensaio incrível, e de outros leitores que conseguem tocar a outra margem, tão diferente das suas, e se permitem de(cantar) na travessia. Gratíssima. beijos

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  6. Nydia tem o condão de nos levar, em mínimo texto, ao máximo do sentimento que a palavra pode evocar.

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  7. Concordo com tudo o que vcs disseram! Nydia, tu não precisa mudar o tom! Na verdade, eu acho interessante pra experimentar, quem sabe, mas o legal em poesia é justamente a diversidade de vozes... Não consigo dizer de quem mais gosto, se de Guenádi Aigui e Robert Creeley ou de Herberto Helder e António Ramos Rosa... São diferentes, sim, mas não se comparam, não faz sentido falar em hierarquia aqui.

    Amo a tua poesia e aprendo muito com ela. Obrigada por compartilhar com a gente.

    Beijos!

    Mar

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  8. Também acho que a diversidade de vozes no cenário poético é essencial, Mar. Essa coisa de querer uniformizar a poesia é uma grande utopia. A poesia é indomável... E faz de nós o que quer. :) Já falei pra vocês que amo Creeley de paixão? Também aprendo muito a cada poema/poeta que leio. É como digo neste poema: a cada poema que leio / arranco um pedaço / não do poema / mas do poeta / nas madrugadas / saio às ruas sangrando / colagens / que não cicatrizam. Obrigada a todos, bjs, bjs! Nydia

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  9. Nydia, o Creeley é dos meus preferidos tbm! Perfeição na forma, no som, poesia que beira os limites da linguagem - os versos batendo no mundo.

    Este teu poema eu conhecia! Acho que tu postou uma vez no Facebook, né? Gosto demais da reviravolta no olhar que os versos "não do poema / mas do poeta" provocam... (e que é complementada com "saio às ruas sangrando / colagens / que não cicatrizam".

    Beijo!!!

    Mar

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  10. Muito bom ler a Nydia aqui. Gosto muito também, de como catalisa o que só aparentemente é mínimo. E há a força expressiva, que não cicatriza o que em fragmentos a poeta lança: "saio às ruas sangrando / colagens / que não cicatrizam". É, para mim, além de tudo um dizer-se, também enquanto poética: "frágeis como a flor / que despenca no abismo / rompem-se os ovos no ninho" - a economia, mas o modo bastante expressivo para falar disso que é, em grande medida, fragilidade e violência (o intocado abismo de nascer, tantos nascimentos depois de se morrer). Um poema fortíssimo, mas um passarinho é que se apresenta para falar da vastidão do sol da vida e do canto na eternidade. E teu comentário à poesia dela é lindo, além de propor ótimas visões, que perpassam todo o ler. Beijos aos poetas, leitores todos.

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  11. impossível não se encantar - com você e nydia.
    beijo. Mar.

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  12. o arriscado da poesia de Nydia, por ser sutil e talvez despretensiosa, é ser vista como superficial... mas quem enxerga pra lá da textura, depara-se com uma voz profunda, cuidadosa, minuciosa, de uma delicadeza ímpar...
    Nydia tem o estilo que admiro, que gosto de observar... um jeito todo delicado de sintetizar o dia: uma síntese transbordante!

    Beijinho carinhoso nas duas!

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  13. Gente, tô sem internet em casa... Beta, vejo bem assim! Beijos pra vcs :)
    Mar

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  14. Feliz em estar aqui e feliz com as leituras... Gratíssima a todos, beijos!

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  15. Não conhecia a Nydia, como tantos que você conhece e oferece pra gente ler. Gostei muito! Quanto à delicadeza, ela às vezes esconde o áspero,o intratável e o feroz. Foi esta leitura que fiz destes poemas dela (preciso ler mais), e talvez por isso mesmo é que gostei muito. Que bom te ler, Nydia. Obrigado, Mar.

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  16. Mar e Nydia, best poetry...
    Amo as duas..

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  17. Aldemar, eu não diria melhor; vejo assim a coisa da delicadeza, e acho fabuloso conseguir trabalhar o poema dessa perspectiva...

    Visite o Longitudes, tem muita coisa dela lá!

    Raquel, <3!!!

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  18. Bom te ler também, Norek. Estou seguindo vocês no LE. Todos linkados no Longitudes. Obrigada, Mar, por fazer essa ponte. :=) bjs bjs.

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  19. Raquel, da minha janela avisto sempre teus varais. Bom te ler. bjs.

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  20. Sigo vocês todos aqui, bem de perto. Apenas tenho andado "meio muda". Leio tudo em silêncio. Espero sinceramente que essa fase silenciosa passe logo... Por enquanto, tudo que tenho a dizer, digo em forma de poesia. Acho que por isso escrevo tanto. :=) Mais uma vez obrigada, Mar. Bjs bjs.

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