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A obra Marceli Andresa Becker de Marceli Andresa Becker foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.
Com base na obra disponível em deterdeondeseir.blogspot.com.

sábado, 13 de agosto de 2011

Do meu caderno de experimentações - XL

deito-me contigo, homem-homem,

cuja voz encera a noite.


o pano em linho, luz.


amo-te, que sejas só um

braseiro no quadril,


a crepitar —


a capotar atrás de todos

os meus ossos.

17 comentários:

  1. Meu zeus! Lira que nos leva às alturas...

    Beijos, Mar.

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  2. No teu poema o convite se estende a um homem que se aproxima do divino, ao mesmo tempo em que ele encerra a paixão humana. Que construção magnifica, mais te leio, mais me surpreendo
    abraços

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  3. Dani, que om te ver por aqui... :-). Vou te visitar tbm.
    Cris, grata pela visita e pelo comment (lembrei agora que tenho de organizar teu material no blogue).
    Sandrio, este é o homem que eu ainda espero, estou tão triste hoje. :'(...

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  4. amor braseiro de quadril para além de qualquer boca

    muito bom muito bom

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  5. O Sandrio, bem querido, acompanha meu trabalho :-)

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  6. Interessante metarmofose de homem-homem "pano em linho, sudário-pele" para homem-fábrica, "guindaste para erguer o coração". DO que "encera a noite" até o que rasga a madrugada. Belo.
    Bjs
    Raul

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  7. "a capotar atrás de todos/ os meus ossos" Achei linda esta parte.

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  8. Raul, sim, este homem-homem aos poucos se transforma um 'motor de dez cavalos'... Gradativamente, enquanto a noite se transforma em madrugada. O primeiro movimento, de encerar, é mais delicado; o segundo, de me 'envergar' como se eu fosse lua minguante, é terrível e furioso...
    Beijos, gracias pela visita e leitura, sempre tão atenta...
    Mar

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  9. em teus dedos brotam como da terra flores madas e dolorosas flores; Mar; poeta de primeira linha, desconhecida e pressentida amiga; li ontem tua primeira versão do poema; gostei de ambos, e em ambos o desdobrar do amor; não quiseste deixar o outro, como variação? favo de mel intacto o teu coração.

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  10. Hugo, que bom receber tua visita e teu comment. Sim, eu costumo revisar meus poemas depois de publicá-los... Principalmente no outro dia, quando já tomei algum distanciamento. Não havia pensado na possibilidade de deixar os dois... É uma boa.
    Obrigada pelo carinho. Um beijo,
    Mar

    Aqui vai a versão inicial

    DO MEU CADERNO DE EXPERIMENTAÇÕES - XL


    deito-me contigo, homem-homem,

    cuja voz encera a noite.


    (linho, luz, sudáriopele).


    amo-te, fiel, que afora o teu

    nenhum braseiro em mim capota


    sobre o barro do quadril.


    (um homem-fábrica, arrancada de

    motor, vergão indígena).


    beijo para além de qualquer boca,

    deus do céu,


    este homem-beiço, cujas mãos me

    desencravam da tristeza


    como se fossem guindastes.

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  11. A imagem do vergão indígena, do beijo, do homem-beiço irão para um outro poema... Hoje li e optei pela metamorfose a que o Raul tão bem se refere, a do homem-homem, que encera (com sudário-pele) o corpo, em homem-fábrica, que me ergue com motores e guindastes.

    Bueno, às vezes acontece de surgirem vertentes para outros poemas dentro de um... Seguidamente ocorre. Então abro outro arquivo e registro o insight.

    E logo que eu publiquei, na primeiríssima versão, usei uma palavra que daria muito na cara o nome de quem pensei ao escrever... Aí tirei, sabe como é...rs :-P

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  12. este ainda é belo. Mas parece nao ser o outro que li. Você dve ter re visado algumas vezes...rs...Saüde, Mar! E que os olhos do coracao de onde correm rios... venha tua poesia, vento nos varais, secar!

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  13. Hehehehe, deve ser outro, entonces, e pior é que não salvei! Acostumei-me com o outro pc, em que o Word não funcionava e eu tinha de escrever os posts diretamente no blogue...
    É mesmo, Hugo, escrever não deixa de ser essa ventania nos olhos, para que sequem... Uma versão do sol.
    Beso,
    Mar

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  14. Mar, aqui você se superou, e superou minha surpresa, apesar de isso sempre ocorrer...

    Elejo, sob meus olhos aprendizes, como dos poemas mais belos que já li aqui!

    Inteireza tanta.

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  15. Katy, tbm te leio sempre no Kanauã com olhos de aprendizes, que é o que acontece na verdadeira amizade. Que bom receber tua visita e saber que te toca! Um beijãozãooo,
    Mar

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