aguardava que medissem minha pressão.
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as caixas do sistema de som da clínica transmitiam a seguinte mensagem: doutor marcelo, emergência, doutor marcelo, sua esposa aprenderá contorcionismo para poder chupar o próprio grelo.
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quis avisá-lo que os pássaros também pinçam as penas quando se viram para o lado em que a rainha morte dorme.
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(box casal, queen size, de mármore.)
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uma enfermeira fazia vitrine-viva à porta do consultório. meu nome inteiro, lembrei depois, reverberava naquela boca acrílica. havia chegado a hora: sentei-me no banco ao fundo da sala.
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a braçadeira transformou-se em questão de segundos num corpete para moças anoréxicas. era o meu sangue, o meu pulsar intermitente, que a mulher fechara a vácuo.
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a velcro.
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a velcro.
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seus dedos longos masturbavam freneticamente a bomba de ar. tive medo de falir, sim, de morrer
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por excesso de hemopornografia.

estou rindo aqui de sua adorável loucura. eu sempre achei que sonhos são sempre poemas ou contos de horror. mentira, inventei isso agora. mas acho que estou achando...rs
ResponderExcluirbárbaro, menina!
beijo.
Sim, verdade, acho que tu sempre achou, mas só descobriu que achava agora! :-)
ResponderExcluirMeus sonhos frequentemente envolvem exames-incisões-branco fluorescente!
Beijo, obrigada pela visita!
Em tempo: "sonhos" são registros do tipo prosa poética ou poesia em prosa que faço inspirada em alguma imagem que tenho em sonho. Comecei a experimentar o gênero faz pouco, com a pretensão de... experimentar :-).
ResponderExcluirLi as várias versões deste seu poema.
ResponderExcluirEm cada uma, me rasgo um pouco.
Interessante linguagem inconsciente, e assombroso, e ai...
Queri, pois é, eu costumo publicar e depois mexo ainda. Por isso "experimentações", porque vou experimentando... Nesse, a cena é sempre a mesma, mudam às vezes os personagens (e na verdade prefiro que seja a mulher, queria que fosse ela, porque no sonho é o que ocorre...).
ResponderExcluirBEIJÃO! Sim, essa minha série dos sonhos tem um pouco (muito) de explorar essa linguagem doida, surreal... É um pouco diferente dos poemas, embora seja uma vertente dos...
Vc pode fazer o que quiser, e deve, vc é genial. =)
ResponderExcluirAi, guria, hoje estou me sentindo um fracasso total :'(... Valeu, viu.
ResponderExcluirOs recortes do teu olhar deixam marcas, afiados e precisos, em poesia ou prosa poética - vale testar o gênero. Gostei imenso. Todos os sonhos, os teus, "sempre poemas ou contos de horror" - capturou, inspirado, o Celso. Neles se mergulha em estado de abismo, e se morre, e se revive. Vir aqui vale sonhar, morrer, ressurgir.
ResponderExcluirBeta, que bom que te tocou de alguma forma: pelo fio, pelo horror... Bom poder trocar poesia contigo, beijão,
ResponderExcluirMar
Gosto muito de tuas experiências em que a poesia dialoga com a narrativa e o sonho. Você tem um humor às vezes cruel, misturado ao erotismo, à violência, à sintaxe própria do cinema. Gostaria muito de ler um livro teu com poemas sobre sonhos. Você é talentosa e sempre fico satisfeito em ler os teus poemas aqui no blog. Poucos(as) autores(as) me interessam hoje em dia, você está entre os melhores.
ResponderExcluirUm beijo,
Claudio Daniel
Claudio, este gênero que tenho experimentado me permite explorar exatamente o que você cita no comment. Gosto de perceber como os elementos daquilo que vejo na minha poesia estão presentes, como o erotismo e a violência, mas tbm de descobrir coisas novas, como a ironia brutal... A narrativa do sonho é capaz de reunir todas esses cacos e colá-los...
ResponderExcluirObrigada pela visita, sempre atenta e doce.
Mar
não posso opinar sobre a qualidade poética ou prosísticamente poética. falo do q me parece: parece-me sempre um superego fraco, uma censura fraca, uma irupção de inconsciente, uma sexualidade ansiosa, espontânea e voraz. Imagens fortes, sempre imagens muito fortes. Uma rara capacidade de transpor a palavras imagens e sensações fortes. Esse é o caminho.
ResponderExcluirCassi, vou levar isso pra terapia :-)... Tbm acho o mesmo, viu. Só espero que essas coisas não irrompam com a violência que têm nos sonhos. Obrigada pela visita e pelo comment, sabe que é SEMPRE BEM-VINDO!!!
ResponderExcluirBeijo da Mar
Ca-ra-lho! PQP! Adorei!. Fantástico... Pena q é indelicado analisar poesias...bjo
ResponderExcluirRaquel, eu tbm falo CARALHOOOO quando curto! Ahhhh, nêga, tu é das minhas!
ResponderExcluirBeijo!
Uma das partes que eu particularmente curto nesta poesia em prosa é esta: "a braçadeira transformou-se em questão de segundos num corpete para moças anoréxicas. era o meu sangue, o meu pulsar intermitente, que a mulher fechara a vácuo. a velcro."... além de motivos pessoais, lembrei que a palavra 'velcro' é muito usada (de forma bem bagaceiraaaa!!!) em referência a relações sexuais entre lésbicas...
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