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A obra Marceli Andresa Becker de Marceli Andresa Becker foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.
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domingo, 3 de julho de 2011

Sonhos - I

afundava a colher no musse de maracujá — numa das rachaduras finíssimas que o creme inventa depois que gela — quando me lembrei do sonho da noite passada.

*

teria de inserir um pen-drive no pé. havia um corte específico à espera na região mais delicada da sola. era uma fresta, uma janela basculante, enferrujada, de onde se conseguia enxergar o açude rubro em que me ensopo diariamente.

*

(a poucos metros de profundidade o tétano tomava conta de um peixe. quanto mais próxima a morte lhe parecia, caveira cáustica, mais a sua boca se abria, se abria, para cantar.)

*

fixei contra o peso do corpo aquela imensa verruga plástica. pendurada, assim, virava brinco em formato de tala (pense nas que são usadas para imobilizar braços).

a tarraxa era o meu osso.


13 comentários:

  1. Nossa! Seu texto é um brinco-pêndulo a hipnotizar todo o corpo.

    Beijo.

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  2. Lara, brinco-pêndulo, teus comments sempre extensão/redimensão do poema, da prosa poética.

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  3. tem umas imagens fortes. parabéns. falta todo tipo de força hoje.

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  4. Pizano, gracias pela visita, leitura atenta e comentário. Este foi sonho mesmo, acordei com o pé dolorido e com medo de pisar... :-P!
    Álvaro, sim, que a poesia seja tbm esta fonte de força. Bem-vindo ao blogue, beijo grande,
    Mar

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  5. Como descreve bem o momento que lhe pertenceu! Parabéns pela originalidade do relato.

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  6. Valeu, Felipe, muito obrigada pela visita. Bem-vindo, apareça :-). Beijo,
    Mar

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  7. Você faz poemas até sonhando...

    Beijos,

    Cld.

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  8. Claudio, será? :-P... Vou registrar alguns bizarros que tenho tido. Um beijo pra ti, gracias pela tão querida visita...

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  9. O onírico e o surreal sempre me fascinaram. adorei seus textos!

    beijo.

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  10. Ô, minha linda, eu é que quero arranjar um tempinho pra TE VISITAR! Obrigada... <3.

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