não perguntes por que toco o teu rosto
só com a ponta dos dedos.
deixa-me redesenhar as linhas da expressão
que perdeste
quando o sol descarrilou de ti.
não perguntes por que falo baixo, como se
um ninho
— esta boca em que ainda canta um sem fim
de enxadas e hélices —
respirasse no interior do candeeiro.
és tão próximo, tão nu,
que só sei te amar ao modo de quem limpa
um corpo
a ser velado.

Possível que mexa na forma ainda.
ResponderExcluirLentamente trabalhar e sentir a palavra insolúvel dentro do poema...
ResponderExcluirEntrar nestes e aqueles versos, mexê-los com mãos grandes e ouvidos por todos os dedos, lentamente.
Gracias, Guilherme Collares, amigo e poeta, por estar presente.
ResponderExcluirSão tantas sensações que não sei o que dizer. Seus poemas cumprem o papel, porque não queremos só lê-los e escrever sobre eles, queremos estar dentro, como se, ao conseguir tal feito, o sentimento, qualquer que seja, alcançasse o ápice. Há coisas que nem imagino fora do poema, ainda bem que dentro dele não há impedimentos.
ResponderExcluirAh, e vai para o meu mural, sinto muito, rs.
Lara, o poema reverbera em ouvidos sensíveis. O engraçado é que, quando postava - é um poema cujo corpo foi elaborado há alguns dias, mas os arremates só hoje -, me lembrei da tua poesia (da imensidão 'das tuas miniaturas', do horizonte que leva a tua infância e tudo o mais)... É um poema que tem, eu acho, essa delicadeza triste...
ResponderExcluirPoxa... eu faria das palavras de Lara as minhas. Não sei como, mas eu vejo a penumbra, o calor do ninho, do corpo, o frio do toque, a intensidade, a singularidade do amor, bem neste momento, bem neste poema. Gosto mto de passar por aqui.
ResponderExcluirBjo
Mima, gracias pela leitura e comentário... Que bom que tem sensibilidade para ver todas essas coisas, enriquece minha visão dos versos tbm. Beijo, bem-vinda!
ResponderExcluirMar
a linguagem assim tão profundamente caleidoscópica me faz senti-la com vibração alegre.
ResponderExcluir"não perguntes por que falo baixo, como se
um ninho
— esta boca em que ainda canta um sem fim
de enxadas e hélices —
respirasse no interior do candeeiro"
quantas belas imagens...
abraços!
Me senti amado pela "Funérea Beatriz de mão gelada" aqui.
ResponderExcluirBjs
Raul
Lindo demais, Marceli!
ResponderExcluirDemais!
Sorte minha ter lido a Lara no facebook.Assim, pude encontrá-la.
Parabéns!
Abraço.
Raul, bem lembrado!!! Por que apagou o comment no outro poema?
ResponderExcluirLuciana, obrigada pela leitura atenta! Passei no teu blogue, tua poesia arrepia...
Zélia, que bom, a Lara aproximando pessoas. Feliz que tenha te tocado o poema. Seja muitooo bem-vinda aqui.
Beijos a todos,
Mar
Amei...Vou ficar e ler-te sempre...Abraço.
ResponderExcluirCarla, que bom! Seja bem-vinda, um beijo pra ti!
ResponderExcluirEu apaguei pq achei que já estivesse enchendo o saco falando de meus poemas haha.
ResponderExcluir"o sol descarrilhou de ti" e depois "como se um ninho/(...) respirasse no interior de um candeeiro". Imagens lindas!
bjs
MARavilhoso, Mar!
ResponderExcluirUm beijão!!!
;)
Gracias, Raul e Dani... Não, Raul, não incomoda falando dos teus poemas!
ResponderExcluirBeijinhos!
Mar
Vi, vim e gostei,
ResponderExcluirbeijo
Valeu, Assis ;)
ResponderExcluirtal como um instrumento musical - tocas e compõe lindamente
ResponderExcluirbeijos
Luiza, que bom que gosta, grata pela atenção!
ResponderExcluirMar ;)
O poema é lindo. As palavras foram trabalhadas com muito lirismo e embutem uma melancolia que transita do personagem que narra (o eu-lírico do poema) ao personagem a quem se destina de uma maneira delicada, mas ao mesmo tempo forte e impactante. Claro que o sentir um poema é muito individual, mas foi assim que senti.
ResponderExcluirbeijo, Mar.
Celso, sempre gosto de tuas leituras. Elas chegam ao essencial do poema; tbm vejo aí esta melancolia de que fala, mas ao mesmo tempo o impacto, a força... como se algo muito feroz irrompesse da fragilidade.
ResponderExcluirUm beijo!
Mar
É tão gostoso te ler Becker... A gente começa imaginando as imagens que sua poesia apresenta em palavras... Mas, como "no meio do caminho tinha uma pedra..." Vc vai adentrando nos sentidos labirínticos das suas palavras, e acaba por nos colocar nos nossos lugares de leitores ínfimos... Não dá pra te sondar não...*
ResponderExcluirIsto tbm porque sua poesia jaz maniqueísma.. Gozo/tristeza Vida/Morte Mar Becker/Becker Mar... E vc nos engana com o Mar, que é Oceano...
Raque, tua generosidade não tem mesmo tamanho. Acho que é assim mesmo... O poema parece ser sempre um apontar, um insinuar. A imagem está ali, dada, FEROZMENTE concreta, mas conforme o cantar se segue amolece. Entramos na delicadeza cruel do poema, e o cantar, este estilete, ao mesmo tempo afia a voz e corta a garganta.
ResponderExcluirGrande beijo pra ti, poeta e amiga!
Mar
Mar, tua poesia tem o sabor do chimarrão que sorvo solito nestas frias manhãs de inverno no meu galpão interior "...vai entrando pelo sangue, curando as juntas doridas..."
ResponderExcluirJoão 14
Gracias, que lindo :-).
ResponderExcluirBeijo, aparece aí, gosto demais de tiii!!!
Mar
O João é da Gaudéria FM, www.gauderiafm.com.br :-)
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